Um buraco negro é, de forma simplificada, uma região do espaço com
uma quantidade tão grande de massa concentrada que nada consegue escapar da
atração de sua força de gravidade, nem mesmo
a luz, e é por isso que são chamados de “buracos negros”.
Em termos comparados, podemos referir que,
actualmente, 110 corporações mundiais concentram metade do PIB (Produto Interno
Bruto) mundial, ou seja da riqueza produzida no mundo. Só o sistema financeiro
movimenta um valor 70 vezes maior que o PIB global. Sobre esta concentração de
rendimentos e de riqueza não há qualquer regulação e muito menos prestação de
contas. Estamos na presença de um buraco
negro, a cuja força de gravidade não escapam as 850 milhões de pessoas que
passam fome no mundo ou as 30 mil que morrem
de causas diretamente relacionadas com a pobreza.
Mesmo neste buraquinho negro “à beira mal plantado”
1% da população portuguesa detinha, em 2014, 25 a 26% da riquezaa produzida,
enquanto os 5% mais ricos concentravam perto de 41% da riqueza, segundo um
estudo do Banco Central Europeu.
Um outro buraco negro prende-se com a corrupção, mas quando falamos de
corrupção devemos falar, principalmente, da fraude e evasão fiscal.
Segundo o Relatório Anticorrupção produzido
pela União Europeia em 2014, a corrupção no sector público custava anualmente
aos 28 Estados da UE 120 mil milhões de euros, quando o orçamento da UE era de
140 mil milhões.
Mas, a verba depositada por indivíduos
oriundos da UE em paraísos fiscais no ano de 2003 ultrapassava os 2,6 triliões
de euros. Ou seja, o custo da corrupção oriunda de práticas anti-éticas no
sector público corresponde a menos de 5% dos custos da evasão fiscal (Relatório
anti-corrupção da EU, 2014).
Para o Presidente do Banco Mundial os fluxos
ilícitos que abandonam anualmente os países em vias de desenvolvimento
correspondem a 3%, mas a evasão fiscal é 25 vezes superior.
Portugal, entre 2005 e 2009 perdeu 40 mil
milhões de euros em evasão fiscal e contributiva, fraude fiscal e uma pequena
parte por via de isenções fiscais. Ou seja, a evasão fiscal penaliza a execução
orçamental ao criar a erosão da base tributária, que obriga uns a pagar mais
para as multinacionais pagarem menos ou nenhum imposto nos paraísos fiscais.
Este é um gigantesco buraco negro escondido
pela Transparência Inetrnacional e em Portugal pela Associação Transparência e
Integridade, cujo vice-presidente é Paulo Morais.
Este blog procurará combater as ideias de
todos aqueles que alimentam o discurso hegemónico da corrupção em Portugal,
atribuindo ao sector pública a principal responsabilidade pela corrupção.
O discurso hegemónico da corrupção no sector
público tem como objectivo endeusar o mercado e as suas virtudes, em contraposição
à esfera pública estatal, alegadamente repleta de privilégios e de
privilegiados.
Procuraremos desmistificar este discurso
hegemónico da corrupção e não deixaremos espaço aberto aos que escondem os
verdadeiros buracos negros: As desigualdades sociais e suas origens
e a verdadeira corrupção, centrada
nos paraísos fiscais.
Como as emoções comandam grande parte do
nosso comportamento não deixaremos de fazer eco de histórias interessantes
ligadas com a inteligência emocional e a sua importância no aprofundamento da
consciência colectiva e individual.
NOTA: Este blogue está
aberto à participação de pessoas interessados em abordar os problemas éticos, o
combate contra a verdadeira corrupção (e não a secundária tão zelosamente
defendida pela Transparência Internacional), contra as desigualdades sociais e
por uma repartição primária e secundária da riqueza mais justa e solidária.
Este blogue está também aberto à participação
dos que se importam com a inteligência emocional e com a sua importância na relação
entre as pessoas e no equilíbrio entre o corpo e a mente.
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