Por
vezes, as oposições ao poder têm uma ideia distorcida do que é ser oposição. O
papel da oposição não é só criticar ou apontar os erros e pontos fracos do
poder mas, também elogiar e valorizar o que é positivo (o outro lado da moeda
ou da realidade).
Se,
por exemplo, numa autarquia o poder executou 100% da receita e 93% da despesa,
se tem os pagamentos em dia, se tem um défice ou uma dívida residual a oposição
não deve omitir ou ignorar estes aspectos positivos.
Se
eu fosse oposição diria o seguinte neste e noutros casos: Como partido da
oposição valorizo a execução orçamental, valorizo a inexistência de défices e de
dívidas mas, se fosse poder, a minha prioridade passava por potenciar muito
mais o investimento, sacrificando um pouco a dívida, para beneficiar a criação
de emprego e favorecer uma estratégia de maior empreendedorismo local.
Como
eleitor desconfio tanto de quem diz que faz tudo bem, que não erra e raramente
se engana, como desconfio de quem não reconhece ao poder executivo uma única
coisa bem feita.
Ser
oposição não é, simplesmente, votar contra o orçamento, mas confrontar o poder
ou com um orçamento alternativo ou com propostas de alteração alternativas. Se
o poder se mantiver cego, surdo e mudo perante os contributos da oposição,
então a oposição tem autoridade política para votar contra e justificar o seu
voto perante os cidadãos.
Ser
oposição é estar vigilante e atenta ao que é prometido sem ser cumprido; é
concentrar-se no que é essencial e não no acessório, é mostrar que faz tanto ou
mais pelo interesse público que o próprio poder.
Para
controlar o futuro, a oposição tem de se libertar dos hábitos e dos
preconceitos do passado, deve procurar usar mais a razão para entender a
realidade e transformá-la à sua medida.
A
oposição não deve comportar-se como alguém que anda por aí, mas como uma
entidade que não se deve ver como demasiado pequena para solucionar os grandes
problemas da vida, nem como demasiado grande para solucionar os pequenos
problemas da vida.
A
oposição deve conhecer perfeitamente as potencialidades e fragilidades do poder,
como deve conhecer tão bem as suas próprias capacidades e forças. Não é por
acaso que Sun Tzu escrevia o seguinte no livro “ A Arte da Guerra”: Se
conheces os demais e te conheces a ti mesmo, nem em cem batalhas correrás
perigo; se não conheces os demais, porém te conheces a ti mesmo, perderás uma
batalha e ganharás outra; se não conheces os demais nem te conheces a ti mesmo,
correrás perigo em cada batalha.
A
arte da política implica, por isso, uma capacidade de estratégia e de liderança
inquestionáveis, só assim é possível vencer uma batalha ou uma guerra mesmo que
o seu exército seja mais pequeno que o exército “inimigo”.
Alcídio
Torres
Deputado
municipal
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