sexta-feira, 1 de abril de 2016

como ser oposição


Por vezes, as oposições ao poder têm uma ideia distorcida do que é ser oposição. O papel da oposição não é só criticar ou apontar os erros e pontos fracos do poder mas, também elogiar e valorizar o que é positivo (o outro lado da moeda ou da realidade).

Se, por exemplo, numa autarquia o poder executou 100% da receita e 93% da despesa, se tem os pagamentos em dia, se tem um défice ou uma dívida residual a oposição não deve omitir ou ignorar estes aspectos positivos.

Se eu fosse oposição diria o seguinte neste e noutros casos: Como partido da oposição valorizo a execução orçamental, valorizo a inexistência de défices e de dívidas mas, se fosse poder, a minha prioridade passava por potenciar muito mais o investimento, sacrificando um pouco a dívida, para beneficiar a criação de emprego e favorecer uma estratégia de maior empreendedorismo local.

Como eleitor desconfio tanto de quem diz que faz tudo bem, que não erra e raramente se engana, como desconfio de quem não reconhece ao poder executivo uma única coisa bem feita.

Ser oposição não é, simplesmente, votar contra o orçamento, mas confrontar o poder ou com um orçamento alternativo ou com propostas de alteração alternativas. Se o poder se mantiver cego, surdo e mudo perante os contributos da oposição, então a oposição tem autoridade política para votar contra e justificar o seu voto perante os cidadãos.

Ser oposição é estar vigilante e atenta ao que é prometido sem ser cumprido; é concentrar-se no que é essencial e não no acessório, é mostrar que faz tanto ou mais pelo interesse público que o próprio poder.

Para controlar o futuro, a oposição tem de se libertar dos hábitos e dos preconceitos do passado, deve procurar usar mais a razão para entender a realidade e transformá-la à sua medida.

A oposição não deve comportar-se como alguém que anda por aí, mas como uma entidade que não se deve ver como demasiado pequena para solucionar os grandes problemas da vida, nem como demasiado grande para solucionar os pequenos problemas da vida.

A oposição deve conhecer perfeitamente as potencialidades e fragilidades do poder, como deve conhecer tão bem as suas próprias capacidades e forças. Não é por acaso que Sun Tzu escrevia o seguinte no livro “ A Arte da Guerra”: Se conheces os demais e te conheces a ti mesmo, nem em cem batalhas correrás perigo; se não conheces os demais, porém te conheces a ti mesmo, perderás uma batalha e ganharás outra; se não conheces os demais nem te conheces a ti mesmo, correrás perigo em cada batalha.

A arte da política implica, por isso, uma capacidade de estratégia e de liderança inquestionáveis, só assim é possível vencer uma batalha ou uma guerra mesmo que o seu exército seja mais pequeno que o exército “inimigo”.

 

Alcídio Torres

Deputado municipal

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