quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

O meu contacto com Almeida Santos

Conheci António Almeida Santos quando ele prefaciou o livro "O Regresso dos partidos" do qual fui co-autor com Maria Amelia Antunes. O livro foi apresentado em Lisboa, na Fundação Mário Soares em 30 de Outubro de 2007. Almeida Santos sentou-se na mesa ao lado de Mário Soares para ouvir o discurso de apresentação da obra a cargo de António José Seguro.
De António Almeida Santos recordo o seu porte de homem elegante, quer física, quer intelectualmente mas recordo, essencialmente o que ele escreveu no prefácio do "Regresso dos Partidos".
Como visionário e um político aberto à mudança e inovação, Almeida Santos concordava, na essência com os autores do livro e escrevia: "Se a democracia representativa tem de ceder o palco à democracia directa, pois que ceda. Sempre fui contra resistências inúteis, e esta, a prazo, sê-lo-á muito provavelmente. Mas não sem que eu deponha um ramo de flores na campa da democracia representativa".
Almeida Santos deixou-nos hoje com "o homem velho ainda dentro da pele do homem novo", num impasse civilizacional onde impera as desigualdades e uma democracia sem rumo.
O homem que agora nos deixou e pediu para ser cremado era um homem realista, que procurava prever o futuro com os pés assentes no presente. O prefácio por ele escrito em "O Regresso dos Partidos" merece uma segunda leitura por se tratar de um escrito completamente tolerante e aberto ao conhecimento e à mudança.
Numa época em que alguns políticos sabem tudo e raramente se enganam, o testemunho de vida de Almeida Santos é de alguém que reconhece a limitação do saber e do conhecimento, de alguém aberto aos outros, às suas ideias e convicções.
O pouco que conheci deste homem é o suficiente para não o deixar partir sem lhe dizer que admiro a sua humildade, a sua lealdade, o seu sentido de solidariedade, o seu apego aos valores da democracia, a sua abertura ao conhecimento e à inovação.
OBRIGADO POR TUDO!

Sem comentários:

Enviar um comentário