terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Não exigir apuramento de responsabilidades também é crime




O Tribunal de Contas (TdC) fez um levantamento dos apoios concedidos ao setor financeiro e concluiu que entre 2008 e 2014 foram concedidos apoios públicos ao setor financeiro cujos fluxos líquidos atingiram no final do período 11.822 milhões (onze mil oitocentos e vinte e dois milhões de euros). No total, os fluxos líquidos para o setor financeiro atingiram quase 12 mil milhões, o que representa 6,8% do PIB de 2014.

As medidas de austeridade aplicadas aos portugueses desde 2011 atingiram, aproximadamente, os 30 mil milhões de euros. Uma verba astronómica correspondente a 17% do PIB e que daria, por exemplo, para pagar dois anos de salários dos funcionários públicos ou para criar praticamente trinta equipas de futebol só de Cristianos Ronaldos.

Ou seja, os portugueses foram chamados a pagar, entre outras facturas, a grandiosa factura dos banqueiros e gestores que viviam acima das suas possibilidades.

No entanto, nos últimos anos, a privatização de grande parte do sector público, a política de austeridade e o ataque às condições de vida dos funcionários públicos foi feita em nome da superioridade da gestão privada em relação à gestão pública.

Os escândalos em torno do BCP, do BPN, do Banco Espirito Santo e recentemente do BANIF mostram à saciedade que a superioridade da gestão privada face à gestão pública apenas serviu para justificar a imposição de uma política de austeridade nunca vista no país.

Todavia, esta manipulação da opinião pública, todo este rombo no erário público não fez, até hoje, soar as campainhas de alarme da responsabilização política e criminal dos principais agentes políticos e económicos do país.

No parlamento continuam sentados calma e serenamente Passos Coelho, Paulo Portas ou Maria Luis Albuquerque e nas suas casas ou à frente de novos negócios continuam impávidos e serenos administradores e gestores de topo responsáveis pelo empobrecimento do país.

Perante toda esta irresponsabilidade e desfaçatez não seria justo uma sociedade de advogados disponibilizar-se, gratuitamente, para encabeçar um movimento cívico exigindo o apuramento de responsabilidades criminais por parte dos principais agentes políticos e financeiros do país dos últimos sete anos?

Na Islândia e noutros países europeus as responsabilidades foram apuradas, com políticos e banqueiros julgados e condenados. Por que não em Portugal?

Ao fim e ao cabo, não exigir apuramento de responsabilidades também é crime

 
 

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