Todavia, os organizadores dos bailes do meu
bairro esconderam aos seus moradores o grande espectáculo no bairro vizinho e,
mais estranho ainda, propagandearam o seu pequeno baile, no mesmo dia do outro
evento, como a única e a maior iniciativa cultural organizada no concelho
naquele preciso dia.
Vem esta pequena estória a propósito do
esforço que alguns “especialistas” em corrupção fazem para construírem uma
falsa oposição entre mercado como reino paradisíaco de todas as virtudes e o
Estado identificado com a corrupção e o privilégio.
O que o discurso hegemónico sobre a corrupção
procura fazer é restringir o fenómeno da corrupção ao sector público, omitindo
o elemento privado que compõe a corrupção do sector público e omitindo a
grandeza da corrupção no sector privado comparada com a corrupção no sector
público. Fazem como os organizadores do baile do meu bairro, ressaltando a
importância da sua iniciativa para esconderam o grande espectáculo organizado à
mesma hora.
Ao centrar o enfoque da corrupção no sector
público por parte de uma parcela selectiva do sector privado, a Transparência
Inetrnacional (representada em Portugal pela Associação Transparência e
Integridade, versus Paulo Morais) pretende, acima de tudo, omitir a corrupção
gerada por aqueles que escondem a evasão e fraude fiscal nos paraísos fiscais.
Por que razão a Transparência Internacional ignora
a corrupção produzida via paraísos fiscais, incomparavelmente superior à
corrupção gerada no sector público?
Uma boa pergunta para respostas posteriores.

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