sábado, 19 de dezembro de 2015

Os bailaricos no meu bairro e a Transparência Internacional



No meu bairro costumavam organizar, ainda eu era adolescente, alguns bailaricos para divertir, aos fins de semana, as mulheres e homens lá da terra. Um dia, num bairro próximo, a comissão de moradores ousou organizar um grande espectáculo se comparado com os bailaricos organizados no meu bairro.
Todavia, os organizadores dos bailes do meu bairro esconderam aos seus moradores o grande espectáculo no bairro vizinho e, mais estranho ainda, propagandearam o seu pequeno baile, no mesmo dia do outro evento, como a única e a maior iniciativa cultural organizada no concelho naquele preciso dia.
Vem esta pequena estória a propósito do esforço que alguns “especialistas” em corrupção fazem para construírem uma falsa oposição entre mercado como reino paradisíaco de todas as virtudes e o Estado identificado com a corrupção e o privilégio.
O que o discurso hegemónico sobre a corrupção procura fazer é restringir o fenómeno da corrupção ao sector público, omitindo o elemento privado que compõe a corrupção do sector público e omitindo a grandeza da corrupção no sector privado comparada com a corrupção no sector público. Fazem como os organizadores do baile do meu bairro, ressaltando a importância da sua iniciativa para esconderam o grande espectáculo organizado à mesma hora.
Ao centrar o enfoque da corrupção no sector público por parte de uma parcela selectiva do sector privado, a Transparência Inetrnacional (representada em Portugal pela Associação Transparência e Integridade, versus Paulo Morais) pretende, acima de tudo, omitir a corrupção gerada por aqueles que escondem a evasão e fraude fiscal nos paraísos fiscais.
Por que razão a Transparência Internacional ignora a corrupção produzida via paraísos fiscais, incomparavelmente superior à corrupção gerada no sector público?

Uma boa pergunta para respostas posteriores.

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