sábado, 19 de dezembro de 2015

Homem nu, homem posto



Um violento sismo ocorrido às 07h19 da manhã no dia 19 de setembro de 1985 provocou o terror e o pânico na cidade do México. O movimento vibratório brusco da superfície terrestre teve o seu epicentro no mar de Michoacán, litoral do México, alcançando a capital em aproximadamente 50 segundos e chegando a magnitude 8,1 a 8,3 na escala Richter. Deixou um rastro de destruição e morte na Cidade, derrubando vários edifícios na capital mexicana e noutros Estados. Foi tido como um dos piores sismos da história contemporânea e da América. Estima-se que mais de 10 mil pessoas tenham morrido.
Quando as forças de protecção civil procuravam o resgate de corpos por entre os prédios depararam com algo inédito: um homem, há vários dias debaixo dos escombros e com a cabeça a vista, recusou-se a ser resgatado pelo corpo de bombeiros. Quando estes lhe perguntaram por que razão se recusava a ser ajudado o homem não mentiu: “ estou nu e, por isso, prefiro morrer a ser visto neste estado”.
Depois de vários minutos de diálogo, a vítima viria a condescender perante a promessa de ser tapado com uma manta durante o transporte para o hospital.
Durante o percurso até à unidade hospitalar mais próxima, o dilema moral vivido por alguém que prefere morrer a gritar por socorro foi testemunhado num interessante diálogo entre um bombeiro e a vítima: Mas o senhor estava subterrado há quantos dias? Pelo menos três, que me lembre. Não gritou por ninguém? Nunca! Não acha que a sua atitude revela pouco amor-próprio e até falta de respeito por quem está aqui para resgatar sobreviventes? Esse é o seu ponto de vista porque, no meu caso, o amor próprio passa por defender a minha dignidade, os costumes que me foram legados pelos meus pais.
Perante um dilema moral tão subliminar como este, a moral da história só pode ser uma: nem sempre é aconselhável ver de que lado é que está a razão, mas em que é que cada um dos lados tem razão.
Depois de analisados as razões e os factos é preciso ir depois à essência dos mesmos para melhor compreender a complexidade da realidade.

                                                                                                         

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